Judiciário de Aracati-CE abre investigação contra padre e moradores do Cumbe para explicarem cartaz e livro das novenas

05/08/2014 10:42

O Poder Judiciário, por meio dos juízes e juízas da Comarca de Aracati, abriram uma investigação policial completamente descabida contra algumas pessoas da Comunidade do Cumbe e contra o Padre Júlio, pároco da região.

O procedimento com claro teor intimidatório é para averiguar e identificar quem colou um cartaz num poste em frente ao Fórum local com os seguintes dizeres: “CARCINICULTURA + JUDICIÁRIO CORROMPIDO = REPRESSÃO POLICIAL NAS COMUNIDADES”, bem como para explicar o conteúdo do livro das novenas de Maio distribuído nas comunidades da região, intitulado “Com Maria rezando a vida das comunidades”.

Tanto o cartaz quanto o livro das novenas fazem alusão à decisão da juíza da 1ª Vara da Comarca de Aracati (processo nº 11578-56.2013.8.06.0035), na qual autorizou o uso de força policial na comunidade do Cumbe para reintegrar na posse uma área requerida por um dos carcinicultores locais.

Tal ação policial, realizada pelo COTAR, no dia 12 de março de 2014, agiu desproporcionalmente, utilizando armamento menos letal, como balas de borracha e bombas, além de destruir a criação de ostras dos pescadores e pescadoras.

Diante desse fato, a Paróquia Nossa Senhora do Rosário e os movimentos sociais resolveram organizar o seminário “Carcinicultura: desenvolvimento para quem?”, realizado dia 24 de maio deste ano, para discutir os impactos da atividade na região.

Assim, para intimidar e tentar criminalizar novamente os lutadores do povo, o João do Cumbe, João Paulo e o Padre Júlio foram notificados a comparecerem à Delegacia Regional de Aracati para se explicarem sobre o livro das novenas, bem como o referido cartaz. O depoimento do Padre Júlio está marcado para o próximo dia 06/08, às 10h naquela delegacia.

Não podemos tolerar tal postura inquisitorial do Judiciário, em especial pelo fato de o conteúdo da cartilha e do cartaz fazerem uma crítica saudável a este Poder, bem como estarem dentro da sua liberdade de expressão.

Questionar não é crime. Lutar não é crime!

Todo apoio ao Padre Júlio, João Do Cumbe e João Paulo!

 

Via Combate ao Racismo Ambiental